Eleições 2026: Professora Marcela Pessôa alerta para discursos imediatistas

A professora da Uesb comentou sobre o papel da Constituição de 1988 em meio aos períodos eleitorais

Professora Marcela Pessôa. Foto: Ane Xavier

O UP Notícias temático das Eleições de 2026 desta terça-feira (20) entrevistou a professora de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Dra. Marcela Pessôa. Marcela é doutora em Sociologia Política, mestre em Políticas Sociais e bacharela em Ciências Sociais. Em entrevista, ela explicou o cenário político brasileiro, em especial a partir da promulgação da Constituição de 1988.

A Constituição brasileira de 1988, também conhecida como “Constituição Cidadã”, foi o marco da redemocratização no país após o período da Ditadura Militar (1964-1985). Entre os direitos fundamentais, ela prevê a inviolabilidade da vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade, direitos sociais e direito ao voto e também instituiu serviços como o Sistema Único de Saúde (SUS).

Dentro do texto da Constituição existem Cláusulas Pétreas, ou seja, normas que não podem ser mudadas ou abolidas, nem mesmo por meio de emendas constitucionais. As principais cláusulas com essa natureza são a forma federativa de Estado, o voto direto, secreto e universal, a separação dos três poderes e as garantias individuais dos cidadãos.

De acordo com a Dra. Marcela, a Constituição de 1988 é a mais estável da história do Brasil, justamente porque vigora por 38 anos, desde quando foi promulgada. A socióloga apontou que essa Carta Magna foi redigida por várias categorias da população civil, como movimentos sociais, sindicatos, profissionais da saúde, profissionais da educação, trabalhadores rurais, entre outros.

Conforme pontuado por Marcela, muitos dos problemas estruturais que são observados durante períodos eleitorais são frutos da trajetória política e econômica do país. “Quando essas discussões de políticas públicas estruturais são capturadas por determinados grupos políticos, eles tentam ajustar segundo a sua conveniência”, explica.

Outro ponto levantado durante a entrevista foi dos discursos simples para problemas complexos. Segundo a doutora, os eleitores tendem a se filiar aos pronunciamentos mais simplistas por conta da esperança pelo imediatismo na resolução dos problemas. “Você fica ainda mais balançado em adotar mais uma relação personalista com esse sujeito do que com as políticas públicas efetivamente que ele está propondo”, alertou.

Confira a entrevista completa com Marcela Pessôa:

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