“São elas que estão no controle sobre o que a gente vê e o que a gente não vê”, diz professora Carmen Carvalho sobre as redes sociais
Professora da Uesb detalhou o papel do jornalismo na checagem dos fatos durante períodos de eleições
Professora Carmen Carvalho. Foto: Ane Xavier
Em decorrência das Eleições Gerais de 2026, muitos eleitores são alvo de desinformações das campanhas políticas dos candidatos. Conforme um levantamento divulgado pelo Instituto Data Senado, em 2024 81% dos brasileiros acham que Fake News podem afetar o resultado das eleições. Diante deste cenário, o UP Notícias desta segunda-feira (19) entrevistou a jornalista e pesquisadora Carmen Carvalho, que comentou sobre os desafios para superar essas informações tendenciosas e o papel da checagem no cenário eleitoral.
Carmen Carvalho é graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), mestre em Ciência da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), doutora em Ciência da Comunicação e Informação Contemporânea pela Universidade de Santiago de Compostela (USC), na Espanha e professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb)
Segundo a professora, a checagem de fatos surgiu nos Estados Unidos na década de 1990 e ganhou força no Brasil após o ano de 2016, que ela descreve como o marco da popularização do termo “fake news” e do conceito de pós-verdade, muito por conta das declarações do presidente dos EUA, Donald Trump.
De acordo com a especialista, o alerta para as Eleições de 2026 e para as próximas eleições está no impacto dos algoritmos das redes sociais. “Tipos de desinformação que a gente tem hoje a partir do desenvolvimento da própria tecnologia, como inteligência artificial que você pode fazer os vídeos. Ainda a gente consegue identificar, mas cada vez mais está evoluindo e logo vai ser mais difícil. Tem também os áudios que dá para criar, tem aplicativos para fazer isso, tem programas”, acrescentou.
Para a pesquisadora, conforme o cenário se agrava, é necessário dar visibilidade às agências de checagem de fatos, que realizam a verificação das declarações dos candidatos enquanto o debate está acontecendo, com análise das falas dos políticos para apontar quem mentiu, quem descontextualizou informações e quem apresentou dados imprecisos ou os omitiu para manipular uma informação. A partir dessa checagem, é possível disputar espaço com a propagação de cortes com informações manipuladas que influenciam milhares de eleitores.
Confira a entrevista com a professora Carmen Carvalho: