Tese da pesquisadora Fadja Fróes analisa violência contra a mulher em redes sociais

O levantamento teve como base comentários do Instagram que culpam as vítimas de violência doméstica e feminicídio

Pesquisadora Dra. Fadja Fróes. Foto: Ane Xavier

O programa UP Notícias desta segunda-feira (26) recebeu a professora de Direito, especialista em Ciências Criminais, mestre e doutora em Memória: Linguagem e Sociedade, Dra. Fadja Fróes. A professora realizou uma tese de doutorado na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) para analisar discursos em processos judiciais e nas redes sociais sobre temas que envolvem o feminicídio e a culpabilização das vítimas.

No âmbito das redes sociais, segundo Fadja, os comentários possuem justificativas de agressores reforçando a ideia de que a mulher é responsável pela violência dentro do crime. A pesquisa é intitulada como “A culpabilização da mulher pelo crime de feminicídio: machismo e memória” e o levantamento foi feito a partir da análise de comentários em veículos de informações presentes no Instagram.

Entre os exemplos divulgados, estão comentários que diziam: “Ela sabia quem era ele”; “Isso é que dá essas mulheres valentes que gritam muita valentia. Só levam a isso”; “Como se relaciona com uma pessoa e não procura pesquisar sobre o seu passado? Eu hein…”; “A Elise Matsunaga  fez o mesmo e ninguém disse que foi machinicídio”.

Conforme os resultados da pesquisa, existem três padrões principais que motivam os usuários. Em primeiro lugar está a responsabilização da mulher por conta de escolhas pessoais, como na decisão de com quem ela se relacionou, em segundo lugar, na associação do crime com o término do relacionamento e, em terceiro lugar, na desqualificação da mulher de acordo com o seu estilo de vida e comportamento.

Dados do Ministério das Mulheres de 2026 apontaram que o número de violência contra mulheres no ambiente digital cresceu 188,6% em um ano. Entre janeiro e maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher recebeu mais de 16 mil denúncias, em comparação com as 5,7 mil ocorrências no mesmo período em 2025. 48% das mulheres que utilizaram o Ligue 180 no ano passado eram negras.

Fadja defende que para superar os estereótipos machistas é necessário questionar o comportamento do agressor e não da vítima. “O primeiro ponto é esse, a gente não ir logo perguntar o que que foi que ela fez. A pergunta não é o que ela fez. É porque ele matou, né? O que que teve dentro dele que ele matou? E aí um segundo ponto que a gente inclusive propõe na nossa tese é esse processo de educação, uma educação para a igualdade”, explica.

Confira a entrevista completa com Fadja Fróes:

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