Laiz Gonçalves faz balanço da importância histórica e cultural do Beco de Vó Dôla para Vitória da Conquista

Liderança do quilombo explicou projetos como o Kilombeco e outras ações sociais realizadas no Beco

Foto: Ane Xavier

Nesta terça-feira (8), o UP Notícias entrevistou a articuladora cultural e liderança do Beco de Vó Dôla, Laiz Gonçalves Souza. O Beco foi o primeiro quilombo urbano reconhecido oficialmente no município de Vitória da Conquista em 2024, quando recebeu a certificação da Fundação Cultural Palmares, por meio da portaria nº 18.

O Beco de Vô Dôla é composto por mais de 320 integrantes. O nome do quilombo foi escolhido em homenagem a Maria Petronilha dos Santos (Vó Dôla), importante símbolo da resistência negra em Vitória da Conquista. “A gente sempre tá passando aos mais novos o que era Vó Dôla, quem foi Vó Dôla, quem foi aquela referência no bairro Pedrinhas. Porque Vó Dôla vem de parteira, Vó Dôla foi benzedeira. Então, todo mundo de Pedrinhas ou um remédio de horta que Vó fez, ou Vó fez um parto, alguém conhece a história de Vó Dôla”, explicou Laiz.

Laiz conta que, com o reconhecimento oficial, o quilombo ganhou mais visibilidade até se tornar um polo na questão acadêmica. Segundo a liderança, várias faculdades particulares e públicas realizaram trabalhos acadêmicos, como é o exemplo do mestrado do professor Flávio dos Passos.

Entre as ações sociais realizadas pelo quilombo está a Biblioteca Comunitária Kilombeco, que atende crianças da comunidade e bairros próximos com reforço escolar, incentivo à leitura, atividades culturais e contação de histórias. A ação foi criada em 2020 a partir da parceria entre Ginga Burokô e Laiz Gonçalves.

“A gente vem de uma história de uma comunidade com analfabetismo muito grande. Quando eu me vi na pandemia, que as aulas seriam remotas e a gente já tinha esse esse problema todo da educação, que teria várias crianças, não só da comunidade, mas como do bairro Pedrinhas, que não iam ter acesso à educação, a gente começou com a Capanga Literária, que já era um sonho meu, porque eu era catadora de material reciclável e nesse entorno, quando eu encontrava um livro … aí eu comecei juntar que eu queria montar uma biblioteca e aí que nasce o sonho da Kilombeco”.

Confira a entrevista completa com Laiz Gonçalves:

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