“As pessoas não fingem depressão, elas fingem estar bem”, declara Júlio Rocha, autor de O Silêncio dos Homens Fortes
O escritor parafraseou a frase associada ao ator Robin Williams e explicou a batalha contra a depressão vivenciada por milhões de homens, tema abordado em seu lançamento
Foto: Ane Xavier
Nesta segunda-feira (24), o UP Notícias entrevistou o bancário, criador de conteúdo digital e autor do livro “O Silêncio dos Homens Fortes: O peso invisível que os olhos não veem”, Júlio Rocha. Em seu lançamento, o autor aborda a saúde mental masculina e a crença de que os homens devem ser inabaláveis.
O livro conta a história de Vitor Gonçalves, um gerente de banco que é um parâmetro de “homem forte”, mas por trás esconde uma batalha contra a depressão, ansiedade e o sentimento de fracasso. O lançamento tem uma base autobiográfica e relata, a partir de experiências pessoais de Júlio, a dor, o isolamento e a vergonha de buscar ajuda.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, os estudos mostram que a depressão atinge 12% dos brasileiros homens ao longo da vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a época comum do aparecimento da doença é no final da terceira década de vida, mas a doença pode começar em qualquer idade. Fatores de risco para a depressão são estresse crônico, disfunções hormonais, histórico familiar, ansiedade crônica, dependência de álcool e drogas ilícitas, conflitos conjugais, traumas psicológicos, entre outros.
“Há cerca de três anos atrás eu passei por uma depressão e o homem ele tem muito aquela estigma de não reconhecer a questão dos problemas mentais por achar que isso é fraqueza, que ele vai estar demonstrando fraqueza. Então a gente acaba que muitas vezes se esconde por trás de uma máscara ali, fingindo que está tudo bem por fora, enquanto a gente vai carregando esse peso que muitas vezes acaba quebrando muitos homens”, explicou o autor.
Júlio Rocha usou o exemplo do ator Robin Williams, parafraseando a frase: “as pessoas não fingem depressão, elas fingem estar bem”. Robin Williams participou de filmes como Jumanji, Gênio Indomável e Sociedade dos Poetas Mortos. O ator cometeu suicídio aos 63 anos, no dia 11 de agosto de 2014. A autópsia revelou que ele possuía uma doença degenerativa cerebral e havia sido diagnosticado à época com doença de Parkinson. Williams enfrentou um quadro severo de depressão e ansiedade por conta das perdas físicas decorrente dos diagnósticos.
“Entendo assim que cada um, dentro daquela escolha que tem, é a questão individual. Para mim é a questão do cristianismo. Isso para mim foi essencial, porque assim, uma terapia é essencial, é importante, a medicação também quando devidamente necessária é importante. A atividade física também é essencial, mas para mim o complemento disso tudo foi a questão da religião. Ela me deu esse sustento, me deu esse significado que eu trouxe para aquela dor”, acrescentou Júlio Rocha.
Confira a entrevista completa com Júlio Rocha: