Letícia Moura relembra ataque e fala sobre superação: “A vida me deu uma segunda chance”

Com quase 100 mil seguidores, Letícia transformou suas redes sociais em espaço de motivação e conscientização após sobreviver a ataque

A estudante Letícia Moura dos Santos Silveira, de 18 anos, concedeu entrevista ao UP Notícias nesta quinta-feira (03), relembrando o sequestro ocorrido no dia 19 de dezembro de 2024, quando foi feita refém e baleada dentro do estabelecimento comercial onde trabalhava, no centro de Vitória da Conquista. Letícia, que já utilizava as redes sociais para compartilhar sua rotina, passou a usar o espaço para relatar o processo de recuperação.

“Foi um momento de muita tensão. Ele estava em surto, gritava, jogava coisas e nos ameaçava. Achei que não iria sobreviver”, conta Letícia.

Durante o ataque, ela foi atingida por sete disparos, que acertaram seu tórax, braço e pernas.

“Ficamos escondidas em um cômodo pequeno, sem ventilação. O gerente tentou conter o sequestrador, mas ele voltou e começou a atirar. Nenhuma de nós reagiu, ninguém o conhecia. Foi tudo muito rápido e assustador.”

Após um pouco mais de quatro horas sob o domínio do agressor, Letícia e outras duas reféns foram resgatadas e encaminhadas para atendimento médico.

Letícia relembra que, após o resgate, enfrentou um longo processo de recuperação.

“Saí de olhos fechados, sem conseguir respirar direito. Passei por cirurgias e precisei de transfusão de sangue. Foram dias difíceis, mas, graças a Deus e ao apoio da minha família, estou aqui”, relata.
“Eu perdi a consciência em vários momentos enquanto estava lá. A dor era intensa, e o medo de não sair viva era ainda maior.”

Apesar do trauma, a jovem tem dado passos firmes em sua recuperação.

“Voltei para a academia e sigo na fisioterapia. É um recomeço, e quero mostrar que é possível superar momentos difíceis”, afirma.

Letícia também destaca a importância da fé e do apoio que recebeu.

“As mensagens, as orações e o carinho das pessoas foram essenciais. Quero usar minha experiência para inspirar quem passa por dificuldades”, diz.
“Minha família foi meu alicerce. Minha mãe não saiu do meu lado nenhum segundo. A equipe médica também foi maravilhosa, cuidou de mim com muito amor.”

Hoje, ela continua ativa nas redes sociais, compartilhando sua rotina de reabilitação e incentivando a doação de sangue.

“Se não fossem as doações, eu não estaria aqui. É um gesto que salva vidas”, ressalta.

Ao final da entrevista, Letícia agradeceu a todos que a ajudaram nesse processo e reforçou sua mensagem de esperança:

“Recomeçar sempre, não desistir jamais. A vida me deu uma segunda chance, e eu vou aproveitar cada segundo dela.”


Relembre o caso:


Na tarde de 19 de dezembro de 2024, por volta do meio-dia, um homem armado invadiu uma loja de celulares na Galeria Panvicon Center e manteve três mulheres como reféns. O caso mobilizou as forças de segurança e chamou a atenção da cidade.

O sequestrador, identificado como Natanael, transmitiu parte da ação ao vivo pelas redes sociais, pedindo a presença de familiares e da imprensa. A Polícia Militar, a Guarda Municipal e o SAMU isolaram a área e iniciaram as negociações.

Após mais de quatro horas, Natanael se entregou às autoridades. As reféns foram libertadas, mas uma delas, Letícia Moura, foi atingida por sete disparos e precisou passar por cirurgias. Sua recuperação envolveu fisioterapia e acompanhamento médico.

O caso gerou debates sobre segurança pública e suporte às vítimas de violência. Moradores e comerciantes do centro ainda relembram o ocorrido, destacando a necessidade de medidas preventivas para evitar situações semelhantes.

Natanael segue detido e aguarda julgamento. Ele responderá por cárcere privado, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo.

Confira a entrevista na íntegra:

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